A Associação dos Amigos da Oncologia (AMO) abraça mais uma edição da campanha “Outubro Rosa”, que tem como objetivo principal alertar e conscientizar a população, especialmente as mulheres, acerca da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. A campanha inclui, ao longo de todo o mês, a realização de diversas palestras educativas sobre o tema, a distribuição de materiais informativos e ações de mobilização social, como a tradicional Corrida Outubro Rosa de Sergipe e a Estação Rosa.
De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar, somente neste ano, 78.610 novos casos de câncer de mama feminina. Este número corresponde a um risco estimado de 71,57 casos novos a cada 100 mil mulheres, tornando-se — sem considerar os tumores de pele não melanoma — o tipo de câncer mais incidente no país e o mais frequente entre as mulheres em todas as regiões brasileiras, concentrando 30,0% de todas as neoplasias no público feminino (seguido pelo Sudeste com risco estimado de 88,29/100 mil, Sul com 77,91/100 mil, Centro-Oeste com 61,32/100 mil, Nordeste com 58,02/100 mil e Norte com 31,28/100 mil).
No estado de Sergipe, as estimativas do INCA para 2026 apontam o registro de 550 novos casos de câncer de mama feminina, sendo 260 destes somente na capital, Aracaju, o que representa 47,3% do total estadual. Já o risco estimado (taxa bruta de incidência) é de 45,58 casos a cada 100 mil mulheres no estado de Sergipe e de 75,66 casos a cada 100 mil mulheres em Aracaju.
Apenas no ano de 2025, a AMO acolheu 1.672 pacientes oncológicos com benefícios e serviços socioassistenciais, sendo 702 casos novos (uma média de quase 60 novos diagnósticos por mês), o que representa 42% do total de pacientes assistidos na instituição no período. Desse total de casos novos, 466 foram mulheres (66,4% do público acolhido), com o câncer de mama liderando de forma isolada os registros, representando 227 casos novos, o equivalente a 32,3% de todos os novos diagnósticos atendidos pela associação no ano.
Diferentemente de neoplasias que evoluem sem manifestações aparentes, o câncer de mama pode apresentar sinais e sintomas perceptíveis já em suas fases iniciais, além de poder ser identificado antes mesmo do surgimento de sintomas por meio da mamografia de rastreamento. De acordo com o INCA, a maior parte dos tumores de mama é descoberta pelas próprias mulheres ao olharem, palparem e sentirem as mamas nas atividades cotidianas, reconhecendo variações naturais do corpo.
Entretanto, alterações persistentes exigem avaliação profissional imediata no serviço de saúde. O principal sinal da doença é a presença de um caroço (nódulo) endurecido, fixo e geralmente indolor, manifestação presente em mais de 90% dos casos sintomáticos. Outros sinais de alerta importantes incluem pele da mama avermelhada, retraída, edemaciada ou com aspecto semelhante a uma “casca de laranja”, alterações no bico do peito (retração ou inversão do mamilo), pequenos nódulos palpáveis nas regiões abaixo dos braços ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal por um dos mamilos. Qualquer caroço na mama em mulheres com mais de 50 anos deve ser investigado, assim como qualquer nódulo em mulheres mais jovens que persista por mais de um ciclo menstrual.
O câncer de mama não possui uma causa única, mas resulta da interação entre fatores endócrinos, reprodutivos, comportamentais, ambientais e genéticos (podendo acometer também homens, embora de forma rara, em cerca de 1% dos casos). A idade acima dos 50 anos constitui o principal fator de risco, refletindo o acúmulo de exposições hormonais ao longo da vida e as alterações biológicas do envelhecimento.
Além disso, o excesso de gordura corporal, o sedentarismo, o consumo de bebidas alcoólicas e a exposição frequente a radiações ionizantes, também podem ser considerados fatores de risco para a doença. Por isso, a prevenção primária baseia-se diretamente na adoção de hábitos de vida saudáveis: manter o peso corporal adequado, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação equilibrada e evitar o consumo de álcool.
O diagnóstico precoce do câncer de mama é o eixo central da campanha Outubro Rosa. A identificação da doença em estágios iniciais — aliando o exame clínico das mamas à mamografia de rastreamento, indicada de rotina a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, e à mamografia diagnóstica e biópsia diante de alterações suspeitas em qualquer idade — reduz significativamente a mortalidade e proporciona tratamentos menos agressivos e com elevado potencial de cura.