A continuidade do tratamento oncológico depende, em muitos casos, de uma estrutura de suporte que vai muito além dos procedimentos médicos. Pensando nisso, a Associação dos Amigos da Oncologia – AMO – desempenha um papel fundamental ao garantir a segurança alimentar para milhares de pacientes e seus acompanhantes. Através da Casa de Apoio Anna Garcez, a instituição fornece cinco refeições diárias para os assistidos hospedados, um benefício que alivia o fardo financeiro e logístico, tornando-se um pilar para a adesão ao tratamento.
Somente em 2024, a instituição já serviu 26.676 refeições para quase 2,5 mil pessoas. Um número que reflete a dimensão de um trabalho que, em quase 30 anos de história, já acolheu mais de 9 mil pessoas com câncer. Ao todo, mais de 110 mil benefícios foram liberados somente no ano passado, concedendo um suporte que se torna fundamental na jornada contra a doença.
Com café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e até uma ceia, a AMO garante a alimentação integral dos assistidos e seus acompanhantes. Jucimaria dos Santos, de 47 anos, trabalha há 17 na instituição como Supervisora Administrativa e explica a importância do serviço.
“Desde quando a Casa de Apoio foi fundada, a AMO oferta para os seus pacientes cinco refeições diárias. Grande parte deles vem de outros municípios de Sergipe e até da Bahia, mas também há aqueles que moram em Aracaju e que as consultas são muito demoradas, necessitando de uma refeição. Essa ação da AMO é muito importante, pois concede acolhimento e um suporte imprescindível para eles, com um cardápio variado, para que eles não somente se alimentem, mas se sintam em casa”, relata a supervisora.
O impacto desse cuidado é sentido diretamente por quem enfrenta a doença e a estrada. José Andrade, de 56 anos, sai de Tomar do Geru, a 140 km de Aracaju, para tratar um câncer cerebral. Para ele, o tratamento não seria viável sem o suporte da AMO.
“Para nós, que viemos do interior, é uma benção. Chegamos na segunda-feira e só retornamos na sexta-feira para nosso lar. Aqui tem tudo para mim e quem me acompanha, até lanche da noite, que me ajuda muito pois uso remédios muito fortes que acabam ocasionando na necessidade de comer mais tarde. Sem esse benefício não seria possível fazer o tratamento, mesmo tendo a hospedagem, pois não teria como arcar com a alimentação a semana toda. Percorro 140 km para chegar aqui, são 3h20 de deslocamento, então imagine se eu tivesse que ir e voltar todos os dias em meio ao tratamento? Não teria condições”, desabafa José
O sentimento de amparo se estende também aos acompanhantes, que dividem as angústias e as esperanças do tratamento. Marta Cruz, de 37 anos, acompanha sua mãe, Maria Cruz, na luta contra um câncer de pulmão. Vinda do município de Japoatã, ela sabe o peso que a falta de suporte pode ter.
“As refeições ajudam demais e facilitam as nossas vidas financeiramente, pois não precisamos gastar, e nos proporcionam conforto e acolhimento, já que não precisamos nos deslocar para outro lugar somente para comer. Tudo que precisamos tem aqui”, afirma Marta.
Ela relembra, com a voz embargada, a diferença que o acolhimento da AMO fez em suas vidas. “Mesmo passando por uma situação muito difícil, posso dizer que aqui voltamos a viver um pouco. Nos primeiros dez dias que estivemos aqui em Aracaju, foi um período de muito sofrimento, pois não tínhamos nenhum tipo de suporte e, além de gastar muito com alimentação, era muito difícil a logística para comprar comida. Com a Casa de Apoio e as refeições, tudo ficou mais fácil em todos os sentidos, sobretudo no acolhimento e amor recebido. Posso dizer com tranquilidade que os 20 dias que passamos aqui se tornaram menos tempo do que os 10 dias que ficamos desamparadas, sem o suporte da AMO”, conclui.